SEXTA-FEIRA, 28 DE MARÇO DE 2008.
O tema sociopatia, surgiu da necessidade de entender algumas relações interpessoais.
Descobri que a incidência desse transtorno no contingente humano é mais frequente do que consta registrado...
Sociopatia já é um termo antigo, atualmente, fala-se em transtorno antissocial da personalidade (TASP). Pesquisas indicam que pessoas portadoras desse comportamento, sofrem de falha no lobo frontal do cérebro, mas essa posição, entre os que lidam com a matéria não é consensual.
Existem diversas pesquisas na área, porém sem resultados definitivos. Na psiquiatria se busca amenizar os sintomas tratando com fármacos e na psicanálise, a sociopatia é classificada como estrutura perversa, diferentemente da estrutura “normal” neurótica, mas de composição psicótica imutável.
Egoísmo e elevada vaidade são algumas das características que compõem a personalidade do sociopata, assim como a dissimulação e a nítida noção de que outras pessoas desaprovam suas atitudes. Quem sofre desse transtorno tem exata noção do que está fazendo e o faz seguindo uma lógica própria, dentro do seu conjunto de valores ou na ausência deles.
Não consegue estabelecer uma relação de empatia, de se colocar no lugar do outro, de se arrepender. Na maioria das vezes, quando nos provoca algum remorso, é mera representação teatral que está improvisando, o cérebro no sociopata funciona de forma diferente do nosso. O comportamento antissocial, na maior parte dos casos, aparece desde cedo. Não existe comprovação de origem genética do transtorno, mas pode-se verificar na infância, segundo especialistas, a prática de vandalismo ou tortura de animais, briga com colegas de escola, ou pequenos furtos.
Desordem de difícil identificação, pois engloba sintomas que não se enquadram nas doenças mentais já bem delineadas e com características bastante específicas, mas se situando à margem da normalidade psicoemocional ou, no mínimo, comportamental.
O individuo sociopata, super reage diante da menor provocação e costuma ser explosivo e instável, com absoluta falta do sentimento de arrependimento ou culpa, atribuindo-a aos outros.
Normalmente sua relação com os demais, dura tempo suficiente em que acredita se beneficiar de algo. Seu comportamento se caracteriza por um forte disfarce de amizade e sociabilidade, ocultando tendências impulsivas e profundo ressentimento para com os membros de sua família e pessoas próximas, com comportamento rígido e inflexível.
Para complicar ainda mais, devemos considerar seu alto desempenho sócio teatral, através do qual manifesta atitude não consubstanciada em suas características genuínas, mas, sobretudo, em suas simulações sociais.
Primeiramente deve-se considerar que o transtorno antissocial de personalidade (TASP) não tem cura, independentemente das peculiaridades do comportamento de cada indivíduo, a terapia tem papel limitado, na medida em que o sociopata não reconhece no outro “alguém” que possa lhe ajudar, nem estabelece vínculos sociais verdadeiros. Não considera que precisa de ajuda, pois pensa que seus valores e juízos é que são normais.
Uma de suas maiores habilidades é a manipulação das pessoas, ora adotando um ar de inocência, ora de vítima, enfim, assumindo o papel social mais indicado para a circunstância. Pode enganar com eloquência.
Há nele uma profunda suspeita de que os bons sentimentos dos demais são sempre destinados a enganá-lo.
É curioso o fato de ser capaz de dar uma explicação racional a conceitos éticos, de reconhecer a diferença entre o certo e o errado, mas, não obstante, é incapaz de experimentar tais sentimentos.
Costuma exibir entusiasmo de curta duração pelas coisas da vida, manifestando um comportamento imaturo de contínua busca de sensações. Dissimulado, tende a conspirar e mentir com enfoque astuto.
Não admite a existência de qualquer dificuldade pessoal ou familiar e exibe um engenhoso sistema de negações. As dificuldades interpessoais são racionalizadas e a culpa é sempre projetada sobre terceiros.
A contundente falsidade é a característica principal, agindo com premeditação em suas relações, fazendo tudo o que for necessário para obter exatamente o que quer dos outros.
Totalmente centrado em si mesmo, sentindo-se não realizado, desolado, independentemente do êxito que possa ter obtido, está sempre convencido de que será despojado de seus direitos e desejos, sua motivação central é manifestada através da inveja com carência profunda de amor e reconhecimento que, segundo ele, não lhe ofereceram na infância.
O sociopata quando se sente frustrado ou ameaçado, responde com fúria incontrolável, atacando de maneira volátil, daninha e mórbida, em explosão agressiva que se precipita abruptamente, sem dar tempo ao oponente de se prevenir ou de conte-lo.
Normalmente acha que os outros têm recebido mais do que ele e que não teve grandes oportunidades na vida.
Portanto, está motivado por um desejo de compensar-se pelo que tem sido despojado pelo destino, com a ideia de que nada faz senão restaurar um equilíbrio alterado.
Nunca chega a sentir que tem adquirido o bastante para compensar suas privações. Independentemente de suas conquistas, permanece sempre ciumento e invejoso.
Hipersensível a sentimento de traição, fantasia deslealdades o tempo todo, com rompantes de agressividade que, frequentemente são descarregados sobre membros da própria família.
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Muito elucidativo. Como dizem os filósofos modernos,-"De perto todo mundo é louco"... Loucuras aceitáveis... mas as do sóciopatas são extremamente inaceitáveis, o prejuizo e a dôr moral,nos atingem violentamente. Isso tudo existe!... E que Deus nos livre de seu alcance !
ResponderExcluirOlá Oldsailor! Acredito que muitas doenças causam de alguma forma uma sociopatia em muitos momentos, mas como um "problema" secundário.
ResponderExcluirExistem porém aqueles "sociopatas" originais, ou seja, quando esta sociopatia deriva do caráter comportamental. Acho que este segundo não tem cura. Abraço!
Ótimo!
ResponderExcluirGostei do texto, Oldsailor...
Parabéns.