segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Mágoa


Hoje, baixo os braços.
Sinto ruir a fortaleza que me tornei. Sinto-me nada.
Transpareço a fraqueza diante da vida em profunda tristeza e a estranha sensação de paralisia. Conseqüência abismal, do comportamento inesperado de uma das minhas filhas que, impensadamente, marcou minha existência de forma indelével, resultando no meu reconhecimento da absoluta falta de reciprocidade de sentimentos nessa relação afetiva.
Quanto vale uma decepção?
Vale a boca calada, a alma sangrando e
o pensamento solitário na confiança perdida.


-o-


E uma mulher que trazia um menino ao colo disse: Fala-nos das Crianças.
E ele respondeu: Os vossos filhos não são vossos filhos, são filhos e filhas do chamamento da própria Vida.
Vêm por vosso meio mas não de vós e, apesar de estarem convosco, não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor mas não os vossos pensamentos, porque eles tem pensamentos próprios.
Podeis acolher os seus corpos mas não as suas almas, porque as suas almas habitam a casa do amanhã, que não podeis visitar nem sequer em sonhos.
Podeis esforçar-vos por ser como eles mas não tenteis fazê-los como vós. Porque a vida não vai para trás nem se detém com o ontem.
Sois os arcos, e os vossos filhos as setas vivas projetadas.
O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito e retesa-vos com o seu poder, para que as setas possam voar depressa para longe.
Que a vossa tensão na mão do Arqueiro seja de alegria.
Porque assim, como ele gosta da seta que voa, também gosta do arco que fica.


Khalil Gibran, The Prophet

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